CPI do kit de robótica: testemunha diz que teve lapso de memória em depoimento contraditório e ex-secretário falta à reunião
16/03/2026
(Foto: Reprodução) Câmara Municipal de Limeira segue com CPI que investiga irregularidades na licitação e contratação de kits de robótica
Edijan Del Santo/EPTV
Durante acareação entre testemunhas convocadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a contratação de kits de robótica para a Rede de Ensino de Limeira (SP), uma das depoentes afirmou que divergência de informações foi causada por um lapso de memória.
Acareação: a reunião entre chefe da Divisão Financeira da Secretaria de Educação na época, Amanda Dias, e a assessora especial de Gestão Pública do ex-secretário André Luis de Francesco, Franciny Almeida Souza, ocorreu última nesta sexta-feira (13), após a CPI considerar que os depoimentos anteriores foram contraditórios.
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Na reunião, Amanda manteve o que disse anteriormente à CPI. Franciny corrigiu o depoimento anterior e disse que orçamentos do processo foram solicitados por ela, a pedido do ex-secretário de Educação.
O equívoco de informações se deu, de acordo com ela, devido a problemas de saúde enfrentados em 2022, que prejudicaram sua concentração e memória na época.
“Eventuais imprecisões de memória não podem ser interpretadas como qualquer tentativa de faltar com a verdade, mas sim como consequência natural do lapso temporal e das circunstâncias profissionais e pessoais vividas naquele período”, argumentou.
Em acareação, testemunha afirma que depoimento divergente foi causado por lapso de memória
Reprodução/Câmara de Limeira
Questionada sobre as empresas contactadas para apresentarem os orçamentos, Franciny afirmou que tanto os nomes, como o que deveria ser solicitado a cada uma foram indicados pelo ex-secretário.
O ex-secretário de Educação André Luís de Francesco, que também havia sido convocado para depor nesta sexta-feira, não foi localizado não compareceu.
A Comissão fez nova convocação para que ele preste esclarecimentos na reunião do dia 27 de março, às 14h.
Contradições que motivaram acareação
Após verificar divergências e contradições em depoimentos, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que
Segundo a Câmara, dois depoimentos foram contraditórios. O relato da chefe da Divisão Financeira da Secretaria de Educação na época da contratação dos kits de robótica, Amanda Regina Dias, e o da assessora especial de Gestão Pública do ex-secretário André Luis de Francesco, Franciny Almeida Souza.
“Enquanto Amanda afirma que Franciny foi responsável por contactar as empresas para o encaminhamento das cotações, a outra nega”, especifica.
O colegiado também prorrogou os trabalhos de investigação por mais 90 dias, o pedido ainda precisa ser apreciado em Plenário.
Oitivas anteriores
No último dia 6 de março, a CPI ouviu os servidores que participaram do processo licitatórios, entre eles, as duas funcionárias que deverão estar na acareação após divergências verificadas pela comissão na oitiva.
Foram ouvidos servidores e ex-servidores Amanda Regina Dias, Luis Antonio Faber, Pollyana Feitosa, Luis Fernando Ferraz, Raquel Patrícia Firmino Lopes Teixeira e Franciny Almeida.
O diretor do Departamento de Suprimentos na época da contratação dos kits, Luis Fernando Ferraz, explicou os procedimentos necessários para dar início a uma licitação.
“Ele informou que foi o responsável por comunicar o ex-prefeito Mário Botion que era preciso interromper o processo de contratação para uma averiguação, pois as mídias nacionais estavam veiculando que havia algo errado com as aquisições de kits de robótica em outras cidades”, descreve a Câmara de Limeira.
O processo foi encaminhado pelo secretário de Negócios Jurídicos da época, Daniel de Campos, ao Ministério Público, que, segundo ele, apontou que não havia nada errado com o processo.
O diretor relatou ainda que o ex-secretário André Francesco, com uma equipe técnica, visitou a empresa vencedora para confirmar a existência da mesma.
Operação da PF contra fraudes em licitações cumpre mandados em Piracicaba e Limeira
Disse também que os procedimentos licitatórios foram feitos corretamente, quanto à elaboração do termo de referência, documento que detalha exatamente o que a administração pública precisa comprar ou contratar. O diretor afirmou ainda que não tem conhecimento de quem o elaborou.
Luis Antonio Faber era diretor administrativo da Secretaria de Fazenda e ordenador de despesa do processo. De acordo com ele, o seu papel era apenas verificar se havia dotação orçamentária para a aquisição e determinar o empenho.
Pollyana Feitosa era assistente de suprimentos, uma das responsáveis por realizar cotações quando não encaminhadas pelos solicitantes ou caso os orçamentos estivessem vencidos. No caso do processo de aquisição dos kits de robótica, os três orçamentos foram encaminhados ao departamento.
Raquel Patrícia Firmino Lopes Teixeira era chefe de Divisão de Compras, também responsável pelo gerenciamento das cotações, segundo ela, quando vinham dentro dos parâmetros era feita a validação.
R$ 10 milhões em verba pública
A Prefeitura de Limeira (SP) gastou R$ 10,7 milhões da verba pública municipal para compras de kits de robótica, livros paradidáticos e licenças de tecnologia de uma empresa que é investigada por superfaturar seus produtos em até 35 vezes, segundo investigação da Polícia Federal (PF).
Operação da PF contra fraudes em licitações cumpre mandados em Piracicaba e Limeira
A casa e uma empresa do ex-prefeito de Limeira, Mario Botion, foram alvos de mandado de busca durante a operação Coffee Break, realizada pela PF em novembro de 2025. Já na sede da Life Educacional, que fornecia os kits, a polícia apreendeu documentos, computadores e outros aparelhos eletrônicos. Cinco veículos também foram apreendidos.
"Da análise de notas fiscais, o município de Sumaré/SP totaliza R$ 57.666.606.68 em compras de produtos da LIFE; o de Hortolândia, R$ 17.969.716,70; e, o de Limeira, R$ 10.710.000,00, concluindo que, da análise 'fria' das notas fiscais, a LIFE teria lucrado pelo menos 50 milhões de reais com a venda de livros a essas prefeituras", acrescenta.
PF cita empresas de fachada e repasses indevidos
As investigações da PF ainda citam uma série de supostas irregularidades na relação entre a empresa e prefeituras com quem firmou contratos:
Que a Life nunca teria demonstrado ter porte para o volume financeiro dos contratos;
Que a Life teria empregado sua "altíssima" margem de lucro em transações voltadas a adquirir patrimônio para seu sócio e remessas de valores para empresas de fachada, controladas por "doleiros", para ocultar a origem/destino do dinheiro;
Que foi possível identificar diversas transferências bancárias da Life Tecnologia para empresas de fachada;
Que o sócio administrador da Life adotava a "prática corriqueira" de pagamentos indevidos a servidores públicos e lobistas, que lhe garantiam os contratos milionários junto às prefeituras.
Dinheiro apreendido durante cumprimento de mandado em São Paulo
Polícia Federal/Divulgação
O que dizem os citados
Na época, a Life Educacional informou à EPTV que não ia se pronunciar sobre o caso.
Em nota, a assessoria de comunicação do ex-prefeito de Limeira, Mário Botion, informou que a licitação que contratou os kits de robótica ocorreu de forma regular e que seguiu rigorosos trâmites administrativos.
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